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Porque é que os gatos lutam, e como acalmar a tensão entre eles

Porque é que os gatos lutam, e como acalmar a tensão entre eles

Gatos que se davam bem podem inimizar-se, e gatos mal apresentados talvez nunca assentem, mas a maior parte do conflito entre gatos da mesma casa remonta a competição, medo ou uma má apresentação — cada uma com um caminho de volta.

Dois gatos a bufar, a perseguir-se e a guinchar pela casa é stressante para todos, e é fácil supor que se odeiam ou que um tenta ser o chefe. Nenhuma costuma ser a história verdadeira. Os gatos não são animais de grupo por natureza como os cães, por isso viver juntos é para muitos algo que toleram mais do que desejam, e a maior parte do conflito reduz-se a competição, medo ou uma apresentação que correu mal — cada uma com uma rota para a paz.

Brincadeira ou luta a sério?

Antes de tratar um problema, garante que há um. Os gatos que brincam perseguem-se quase em silêncio, alternam quem salta, param e recomeçam, e afastam-se depois relaxados. Uma luta a sério é barulhenta — bufos, rosnados, uivos — com orelhas achatadas, pelo eriçado, patadas de unhas de fora, e às vezes ferimentos, e um gato que se esconde sempre, se encolhe ou evita o outro. Se as interações são silenciosas, mútuas e de papéis trocados, é brincadeira vigorosa; ler a linguagem corporal diz-te qual estás a ver.

As causas comuns

Um conflito a sério costuma ter uma de um punhado de raízes. Uma apresentação à pressa ou mal feita é a clássica, que deixa dois gatos sempre de guarda um contra o outro. A competição por recursos — comida, água, caixas, sítios de descanso, parapeitos soalheiros, até a tua atenção — fabrica lutas onde não há para todos. A agressão redirecionada é outra: um gato agitado por um gato de fora que não alcança descarrega no companheiro mais próximo. E o medo, ou uma mudança num gato por dor ou doença, pode tensionar uma dupla assente de um dia para o outro.

Os recursos: a solução que se salta

A causa mais esquecida é a mais fácil de arranjar. Os gatos entram em conflito quando têm de competir ou fazer fila pelo que precisam, por isso oferece um de cada recurso-chave por gato mais um — pontos de comida e água separados, caixas de areia suficientes, e muitas camas e poleiros — e distribui-os pela casa em vez de os amontoar numa sala. O espaço vertical conta sobretudo: arranhadores e prateleiras deixam um gato nervoso subir e afastar-se, e deixam dois gatos partilhar uma sala sem se cruzarem à força. Tira a escassez e tiras grande parte das lutas.

Gerir uma inimizade dia a dia

Enquanto trabalhas a relação de fundo, a gestão diária mantém a paz e evita o treino, porque cada luta torna a seguinte mais provável. Mantém os gatos separados quando não podes vigiar, usa a altura e salas separadas para cada um ter um sítio onde estar que o outro não ocupa, e deteta os pontos quentes — uma porta estreita, a única tigela, o único parapeito soalheiro — e desarma-os acrescentando duplicados e alargando as passagens entre recursos. Se um gato encurrala ou persegue o outro, dá à vítima zonas seguras que alcança e o agressor não pode seguir, como uma prateleira alta ou uma sala atrás de uma barreira. Reduzir o número de encontros tensos é metade do trabalho; quanto mais calmos estiverem dia a dia, mais cedo pega uma reapresentação.

Nunca os deixes « resolver à luta »

É um mito teimoso que os gatos resolvem as suas diferenças se os deixarem. Não — deixar os gatos lutar enraíza a hostilidade e arrisca ferimentos e mordidelas infetadas. Interrompe uma luta sem te magoares: nunca metas as mãos, porque um gato nesse estado redireciona uma mordidela para ti, mas quebra a tensão com uma palmada forte, uma almofada no meio ou uma toalha atirada sobre um, e depois separa-os em salas diferentes para descerem por completo antes de qualquer contacto.

Reapresentação quando se partiu

Quando dois gatos estão de facto inimizados, o caminho de volta é tratá-los como estranhos e recomeçar do zero a apresentação. Separa-os em partes diferentes da casa, troca camas e cheiro entre eles, e alimenta-os dos dois lados de uma porta fechada para acontecerem coisas boas na presença do outro a distância segura. Reconstrói depois devagar até contacto visual controlado e por fim tempo juntos vigiado, recuando um passo a qualquer sinal de tensão a sério. É o mesmo processo paciente, cheiro primeiro, de apresentar um gato novo, e precipitá-lo é o que causou o problema da primeira vez.

Quando é súbito ou grave

Lutas que rebentam de repente entre gatos que estavam bem, ou um gato que ficou anormalmente agressivo, valem uma consulta veterinária — a dor e a doença tornam os gatos irritáveis, e um gato que sofre e ataca diz-te algo que um plano de comportamento sozinho vai falhar. Gatos que se atiram ou mordem com força para ferir, ou uma inimizade que não acalma apesar de recursos e de uma reapresentação cuidada, são um bom caso para um comportamentalista felino qualificado. E tem presente que alguns gatos, por melhor que giras, são mais felizes como único gato — reconhecê-lo é mais gentil do que forçar uma paz que nunca virá. A mesma prudência de manejo vale como com um gato que morde durante as festas: nunca punir, e dar espaço em vez de insistir.

Porque é que os meus gatos lutam de repente se se davam bem?

Procura uma mudança: um animal, pessoa ou bebé novo, uma mudança de casa ou obras, um gato de fora à janela que agita um, ou um recurso que ficou escasso. A dor ou a doença num gato também pode tensionar uma dupla assente, por isso uma mudança súbita vale um exame veterinário tanto como um olhar ao que mudou.

Os meus gatos brincam ou lutam?

A brincadeira é quase silenciosa, mútua e por turnos — perseguem-se, param, mudam quem salta e afastam-se relaxados. Uma luta é barulhenta, com bufos, orelhas achatadas, pelo eriçado e unhas de fora, e um gato que não pára de se esconder ou evitar o outro. Se é silencioso e equilibrado, é brincadeira; se é barulhento e de um só lado, é conflito.

Como travo as lutas dos meus gatos?

Começa pelos recursos: um de cada — comida, água, caixas, camas, poleiros — por gato mais um, distribuídos pela casa para ninguém ter de competir. Bloqueia a vista de gatos de fora, mantém rotinas estáveis, e se a relação se partiu, separa-os e reapresenta devagar, cheiro primeiro. Nunca punas, o que só eleva a tensão.

Devo deixar os meus gatos resolver à luta?

Não. Os gatos não resolvem o conflito à luta — deixá-los enraíza a hostilidade e arrisca ferimentos e mordidelas infetadas. Interrompe sem as mãos (uma palmada, uma almofada, uma toalha), separa-os para descerem, e reconstrói a relação aos poucos em vez de esperar que se resolvam sozinhos.

Dois gatos vão chegar a dar-se bem?

Muitos, com espaço suficiente, recursos suficientes e uma reapresentação lenta, embora alguns assentem numa trégua cortês mais do que uma amizade, o que é um resultado muito bom. Alguns gatos são de facto mais felizes sozinhos, e reconhecê-lo é mais justo do que forçar um laço. A paciência e uma casa bem montada decidem a maioria dos casos.

Os gatos lutam para estabelecer uma hierarquia?

Os gatos não têm uma hierarquia de dominância fixa como a ideia popular sugere, por isso deixá-los lutar para « decidir quem manda » não funciona — só enraíza o conflito. O que parece uma luta de posição é geralmente competição por recursos ou medo, que acalmam quando há para todos e há espaço para se evitarem, não quando um gato « ganha ».