
Quem fica com o seu animal se você não puder: a providência que ninguém toma
Há animais que acabam em abrigos porque o dono foi para o hospital, e não apenas porque alguém deixou de os querer. Esta é a meia hora de papelada que o evita — uma pessoa indicada, uma página escrita, um cartão na carteira e onde o pôr para que alguém o encontre a tempo.
Todos os abrigos conhecem a mesma entrada: um animal trazido porque o dono foi para o hospital, ou morreu, e ninguém sabia o que lhe fazer. Não são animais descuidados e os donos não eram pessoas descuidadas. Simplesmente nunca tomaram uma providência, porque leva meia hora e não há um único dia em que pareça urgente. Vale a pena fazê-lo agora, e é mesmo rápido.
Indique uma pessoa, e pergunte-lhe
Tudo assenta numa decisão: quem fica com o animal. Escolha alguém que o conheça, que pudesse realisticamente alojá-lo e que viva perto o suficiente para chegar no mesmo dia. Depois pergunte-lhe mesmo, porque uma suposição não é uma providência e o número de pessoas que descobrem no pior momento possível que a pessoa óbvia não pode ter um cão é considerável.
Indique também uma segunda pessoa. A primeira é muitas vezes o companheiro ou alguém da família, que pode estar envolvido na mesma emergência que você, e um suplente que viva noutro sítio cobre exactamente o caso que um único nome deixa em aberto.
Escreva a página de que ela vai precisar
Quem gosta do seu animal continua sem saber como você conduz o dia dele. Escreva uma página e guarde-a onde possa ser encontrada: o que come e quanto, a que horas, e o que não pode ter; qualquer medicação, dose e horário; o nome e telefone do veterinário, e se o animal tem seguro e com quem; o número do microchip e em que base de dados está; como se comporta com estranhos, com outros animais e com crianças; e qualquer mania que importe — o gato que dispara por portas abertas, o cão que não aguenta ficar sozinho, o que tem medo do aspirador.
Mantenha-a deliberadamente curta e factual. Esta página é lida numa hora de tensão, não é estudada, e a versão útil cabe numa face em vez de ser um dossiê. Anote onde estão a transportadora, a trela e a comida, porque um estranho em sua casa não os vai encontrar. Se o seu animal é idoso ou está em tratamento, essa parte é a que mais importa e vai no topo.
Um cartão na carteira
O que deixa animais ao abandono normalmente não é a falta de plano — é ninguém saber que havia um animal em casa. Um cartão na carteira, e uma nota na informação de emergência do telemóvel, a dizer que há animais na sua morada e a dar dois nomes e telefones, é a peça que faz funcionar tudo o resto. Os serviços de emergência e o pessoal hospitalar olham mesmo para ambos, e um vizinho com chave merece figurar lá.
Diga-o também a alguém ali perto. Um vizinho que sabe que há um gato no apartamento e que consegue chegar à pessoa que indicou fecha o intervalo entre a emergência e o plano, e esse intervalo mede-se normalmente em horas.
A versão de longo prazo
Se quiser que lhe sobreviva e não apenas que cubra quinze dias de hospital, tem de ficar formalmente escrito. Na maioria dos países um animal é juridicamente um bem, por isso passa com a herança e a pessoa a quem contou não é automaticamente a que fica com ele. Nomear um cuidador em testamento, e deixar-lhe uma quantia para as despesas do animal, é a via habitual; alguns sítios têm instrumentos mais específicos e os detalhes variam, por isso é uma pergunta para quem o acompanha no testamento e não algo para improvisar.
Anda a par da questão do dinheiro em geral, porque ambas são sobre a mesma coisa: não deixar uma despesa previsível a alguém sem aviso. Deixar a um cuidador indicado tanto um animal como os meios para cuidar dele é uma prenda consideravelmente mais gentil do que deixar-lhe apenas o animal.
A versão de curto prazo, de que se precisa mais vezes
A mesma página serve para as ausências normais, e é a razão para a escrever mesmo que o caso distante pareça improvável. Um pet sitter, um hotel para animais ou um amigo que cobre uma semana precisam exactamente dessa informação, e tê-la pronta transforma cada viagem futura numa entrega de cinco minutos — a metade prática de escolher entre hotel e pet sitter. Actualize-a quando mudar de veterinário, quando mudar a comida e quando mudar o telefone ligado ao chip, que é o campo com mais probabilidade de estar errado justamente quando importa.
O que acontece a um animal se o dono for hospitalizado?
Vezes de mais vai parar a um abrigo, porque ninguém sabia que havia um animal em casa nem quem devia ficar com ele. Um cartão na carteira e uma nota na informação de emergência do telemóvel a dizer que há animais na sua morada, com dois nomes e telefones, é a peça que o evita.
Quem devo indicar para cuidar do meu animal numa emergência?
Alguém que conheça o animal, que pudesse realisticamente alojá-lo e que viva perto o suficiente para chegar no mesmo dia — e que tenha mesmo aceitado. Indique também uma segunda pessoa, de preferência alguém que não estivesse envolvido na mesma emergência que você, como estaria um companheiro.
Que informação devo deixar escrita?
Uma página curta: comida, quantidades e horários, medicação e doses, nome e telefone do veterinário, seguro, número do microchip e a sua base de dados, comportamento com estranhos, crianças e outros animais, e onde estão a transportadora, a trela e a comida. Fique por uma face: será lida numa hora de tensão, não estudada.
Posso deixar o meu animal a alguém em testamento?
Na maioria dos países um animal é juridicamente um bem, por isso passa com a herança e não para quem você contou. Nomear um cuidador em testamento e deixar-lhe uma quantia para as despesas é a via habitual, e os detalhes variam de país para país: é pergunta para quem o acompanha no testamento.
Vale a pena preparar isto?
Leva cerca de meia hora, e a mesma página cobre também as ausências normais — qualquer pet sitter, hotel ou amigo que fique uma semana precisa exactamente desses dados. Escreva-a uma vez, mantenha actualizado o telefone ligado ao microchip, e serve tanto para a viagem que planeou como para o dia que não planeou.