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Golpe de calor em cães e gatos: os sinais, e porque um carro estacionado é o assassino

Golpe de calor em cães e gatos: os sinais, e porque um carro estacionado é o assassino

Um golpe de calor não é o mesmo que ter calor, e quando um cão parece estar em apuros, muitas vezes já está. Vale a pena conhecer os sinais antes do dia em que precisará deles — e a única regra sobre carros estacionados não tem exceções.

Um cão arrefece-se quase inteiramente arquejando, o que funciona até o ar estar quente demais para ajudar. Quando deixa de funcionar, a temperatura sobe depressa, e o golpe de calor é o que vem a seguir: um corpo a funcionar quente o bastante para danificar o intestino, os rins e o sistema de coagulação, por vezes em minutos. É uma das poucas emergências de calor que mata animais de resto saudáveis, e quase tudo isso é evitável.

A regra sobre os carros

Nunca deixe um animal num carro estacionado com tempo quente, nem cinco minutos, nem com as janelas entreabertas, nem à sombra. Um carro ao sol ameno torna-se um forno porque o vidro retém o calor mais depressa do que a pequena fresta de uma janela aberta o consegue soltar, e uma janela entreaberta muda o prazo uns minutos e não o desfecho. É a forma mais comum de cães saudáveis morrerem de calor, e a única versão segura é deixar o cão em casa.

Se encontrar um cão fechado num carro quente em aflição, chame a polícia em vez de esperar pelo dono. Em vários países a lei protege quem passa e age para salvar um animal em perigo imediato, mas a chamada vem primeiro porque quem chega pode entrar no carro e você geralmente não.

Como se vê um golpe de calor

No início é um arquejo pesado e incessante, um cão que não consegue assentar, e baba espessa e pegajosa. Depois as gengivas ficam vermelho-tijolo ou estranhamente pálidas, o cão cambaleia ou parece confuso, e pode vomitar ou ter diarreia. O colapso e as convulsões são os sinais tardios, e nessa altura o dano já se está a fazer. Um cão não precisa de parecer dramático para estar em apuros: um que simplesmente ficou calado e apagado após esforço no calor é um cão a levar a sério.

Os gatos escondem-no melhor e apanham-no menos, porque procuram sítios frescos e raramente se sobre-esforçam, mas os sinais de alerta são os mesmos — arquejar de boca aberta num gato nunca é normal e é motivo para agir, não para esperar.

O que fazer, por ordem

Leve o animal para a sombra ou para dentro, e comece a arrefecê-lo já — esta é uma das raras emergências onde os primeiros socorros antes da viagem de carro mudam mesmo o desfecho. Deite ou pulverize água fresca (não gelada) sobre o corpo, sobretudo a barriga, as axilas e as virilhas, mantenha o ar em movimento com uma ventoinha ou uma janela aberta, e ofereça pequenas quantidades de água para beber se quiser. Depois chame o veterinário e conduza, arrefecendo pelo caminho. O velho conselho de usar gelo ou água gelada está desatualizado: a água muito fria faz os vasos da superfície fecharem-se e pode travar o arrefecimento, por isso água fresca e corrente de ar são o que quer.

Avise antes de chegar para a clínica estar pronta, e vá mesmo que o cão pareça recuperar, porque a parte perigosa do golpe de calor é o dano nos órgãos que aparece nas horas seguintes. Um cão que volta a parecer bem pode ainda estar grave por dentro.

Quem sobreaquece primeiro

As raças de cara chata — pugs, buldogues, buldogues franceses, persas — estão numa categoria à parte, porque o mesmo focinho curto que as define deixa muito menos via aérea para arquejar, e metem-se em apuros num passeio que um cão de focinho mais comprido nem notaria. Junte os muito velhos, os muito jovens, os com excesso de peso, os de pelagem densa, e qualquer animal com um problema cardíaco ou respiratório, e tem a lista de quem vigiar mais de perto. Num dia quente, nenhum deles deveria ser exercitado de todo até refrescar.

O peso é aqui um fator de risco por si só, o que é mais uma razão para o levar a sério — um cão com excesso de peso sobreaquece mais cedo e recupera mais devagar do que um magro da mesma raça.

Preveni-lo

Passeie no fresco da manhã cedo ou do fim da tarde nos dias quentes, e salte o passeio por completo quando estiver mesmo quente — um passeio saltado nunca fez mal a um cão e um golpe de calor pode matar um. Teste o pavimento com as costas da mão: se não a conseguir manter aí sete segundos, está quente demais para as almofadinhas. Leve sempre água numa saída com calor, ofereça sombra e nunca deixe um cão preso ao sol, e lembre-se de que uma marquise, uma caravana ou um quarto quente de verão são a mesma armadilha que um carro. Em viagens longas de carro mantenha o ar condicionado sobre o animal, não só sobre os bancos da frente.

Quais são os primeiros sinais de golpe de calor num cão?

Arquejo pesado e frenético, incapacidade de assentar e baba espessa e filante vêm primeiro, depois gengivas vermelho-tijolo ou pálidas, cambaleio ou confusão, e vómitos. O colapso e as convulsões são sinais tardios. Um cão que ficou calado e apagado após esforço no calor já é motivo de preocupação.

Quanto tempo pode um cão ficar num carro num dia quente?

Não deveria ficar de todo. Um carro estacionado torna-se um forno em minutos mesmo ao sol ameno, e uma janela entreaberta não muda o desfecho. Deixe o cão em casa.

O que faço se o meu cão tiver um golpe de calor?

Leve-o para a sombra, deite água fresca — não gelada — sobre o corpo, mantenha o ar em movimento, ofereça pequenos goles, e chame o veterinário enquanto conduz, arrefecendo pelo caminho. Vá mesmo que pareça recuperar, porque o dano nos órgãos pode aparecer horas depois.

Devo usar água gelada para arrefecer um cão sobreaquecido?

Não. A água muito fria faz os vasos sanguíneos da superfície fecharem-se e pode travar o arrefecimento. Água fresca e ar em movimento baixam a temperatura em segurança.

Que cães correm mais risco de sobreaquecer?

As raças de cara chata como pugs, buldogues e buldogues franceses correm mais risco porque um focinho curto deixa pouca via aérea para arquejar. Os muito velhos, muito jovens, com excesso de peso, de pelagem densa, e qualquer cão com problema cardíaco ou respiratório também são de alto risco e não devem ser exercitados no calor.

Os gatos podem ter golpe de calor?

Sim, embora menos, porque procuram a sombra e raramente se sobre-esforçam. Arquejar de boca aberta num gato nunca é normal e é motivo para o arrefecer e chamar o veterinário em vez de esperar.